BOSSA enCANTO... enCENA
O Coro Cênico Bossa Nossa, no correr dos seus mais de 30 anos de atividade coral-cênica, tem buscado uma poética estruturante para a modalidade. Seu “fazer Arte” tem exigido pesquisa constante, autocrítica permanente, aprofundamentos em canto e teatro, trocas de experiências, objetivando formular um conceito acerca de coro cênico que, antes de qualquer outra coisa, fundamente sua “vocação” artística
O espetáculo BOSSA enCANTO... enCENA, segmenta-se em 3 partes. Nas duas primeiras reúne criações de produções anteriores: “Nóis ganha poco mais nóis si diverte” e “Se não for para me fazer voar bem alto nem tire meus pés do chão”. Na terceira parte projeta algumas canções que estarão no repertório da próxima montagem, cujo núcleo temático se orienta a partir de A Terceira Margem do Rio, parceria entre Caetano Veloso e Milton Nascimento, em cima do conto homônimo de Guimarães Rosa.
As composições de Adoniran – um cronista da vida paulistana – com uma poesia singela, urbana, sem preocupação com a linguagem culta, canta o genuíno das ruas, o afeto de gente simples e seus sonhos em demolição. Espelha a alma humilde, o boêmio diurno. Suspira por um jeito de ser que perde qualidade de vida com as transformações da metrópole. Adoniran Barbosa com sua música desenha a terra da garoa, do bonde elétrico, do samba marcado na caixa de fósforos, das rondas pelos bairros tradicionais. Canta uma São Paulo do alto de seu 4º centenário. Uma São Paulo que, apesar do acelerado processo de industrialização, ainda conservava características artesanais
Na sequência, canções trazem a têmpera entre . Na cadência da MPB, Duran decreta o Fim de Caso, pois – há um adeus em cada gesto, em cada olhar / mas nós não temos é coragem de falar. Já Itamar, chia com Luzia, porque – tua mãe já dizia, é mais um malandro talvez ladrão / já não chega a sogra e agora a cria, que decepção. Enquanto isso Ismael condiciona – se você jurar que me tem amor / eu posso me regenerar / mas se é para fingir, mulher / a orgia assim não vou deixar. Quase ao mesmo tempo – nosso jogo é perigoso, menina / nós somos fogo e gasolina”, afirma Roberta. Tudo junto e misturado, não é Lenine? – é como um caldeirão / misturando ritos e raças / é a missa da miscigenação / na maior muvuca / etnia caduca!”
O terceiro segmento (work in progress), abre uma via extensa – e ampla – a ser percorrida a partir da provocação do realismo fantástico de A Terceira Margem do Rio, de Rosa, delicadamente musicada por Milton e Caetano. Nessa perspectiva é possível alinhavar o Lamento Sertanejo de Gil e Dominguinhos, com Assum Branco de Wisnik e ouvir Manuel Bandeira dizendo seu poema O Rio.
O atual enCANTO...enCENA termina com uma ode, um louvor, um aplauso aos povos originários; aos que defendem com a vida a saúde da terra, água e ar; aos que não se calam, mas são calados pela barbárie; aos ativistas da paz, ao “sangue doce”.
Bom espetáculo
Magno Bucci
Comentários mais recentes
17.06 | 17:53
Assisti a um vídeo no tik tok e me apaixonei pelo trabalho maravilhoso…. Estão de parabéns podiam disponibilizar no Spotify ouviria o dia tdo
Descobri pelo tiktok e estou encantada! Parabéns pelo trabalho 👏🏾 espero que venham para o RJ!
27.05 | 02:51
acabei de descobrir vocês no tiktok cantando "conversa de boteco" e simplesmente amei, sou apaixonada por MPB, vocês deveriam ter perfil no Spotify. Amei as vozes ❤️❤️❤️